Dia Nacional de Luta pela Redução da Mortalidade Materna e Dia Intern. de Luta pela Saúde da Mulher

A Organização Mundial da Saúde (OMS) define como morte materna a que ocorre durante a gestação ou dentro de um período de 42 dias pós-parto, independente da duração ou da localização da gravidez, devido a qualquer causa relacionada com a gravidez ou por medidas em relação a ela.



As principais causas dos óbitos maternos no Brasil, são de outras doenças da mãe que complicam a gravidez, o parto e o puerpério (17,10%); eclâmpsia (11,88%); hipertensão gestacional com proteinúria significativa (6,22%); hemorragia pós-parto (5,86%); infecção puerperal (5,18%); e descolamento prematuro de placenta (4,28%).


Entre os anos de 2000 e 2012 as mortes por hemorragia caíram entre as brancas de 141 casos por 100 mil partos para 93 casos, enquanto que entre as mulheres negras aumentaram de 190 para 202 casos, segundo a Subcomissão Especial Avaliadora das Políticas de assistência Social e Saúde das Populações Vulneráveis na Câmara dos Deputados em Brasília em 2016.


De acordo com o Ministério da Saúde, 60% das mortes maternas são de mulheres negras e em 90% dos casos poderia ser evitada com atendimento adequado; além disso, mulheres pretas e pardas, têm maior prevalência de depressão pós-parto, vinculam-se menos à maternidade para o parto, recebem poucas orientações e fazem um pré-natal com menor número de consultas e exames; além de ficaram sem acompanhantes durante toda a internação para o parto em maior escala.


Discutir mortalidade materna aqui no Brasil é falar também de racismo institucional, violência obstétrica e sobre como tudo isso interfere na saúde da mulher e da pessoa gestante; principalmente aqui na região Nordeste, que apresentou entre 2000 e 2009 os maiores índices de mortes maternas, com um coeficiente médio de 64,01, apresentando uma média maior que a nacional (11,2%).


Ainda no contexto da pandemia, verifica-se que o Brasil está em primeiro lugar no índice de mortalidade materna por Covid-19. O número de mortes de gestantes e puérperas mais que dobrou em 2021, com relação ao ano passado. Em 2020, durante 43 semanas de pandemia, a média semanal de óbitos maternos foi de 10,5. O que já era assustador, tornou-se ainda pior este ano, quando a média por semana chegou a 25,8, no início de abril (dados do Observatório Obstétrico Brasileiro Covid-19 - OOBr Covid-19).


Dados de uma pesquisa conduzida por um grupo de obstetras e enfermeiras de 12 universidades e instituições públicas que integram o Grupo Brasileiro de Estudos de Covid-19 e Gravidez revelam que quase 23% das mulheres deste grupo que morreram no Brasil não tiveram acesso a um leito de UTI e 36% não chegaram a ser intubadas.E o agravamento entre as mulheres negras não é diferente do que já sabemos, as gestantes desse grupo tiveram o dobro de chance de precisarem de ventilação mecânica em relação às brancas, e também precisaram ser internadas na UTI com mais frequência (1,4 vezes a mais que as brancas).


Hoje, no país, o índice de mortalidade está em 64,5% de óbitos para cada 100 mil nascidos vivos — número bem acima da meta firmada com Organização das Nações Unidas (ONU), que é de menos de 70 óbitos para cada 100 mil nascido vivos até 2030, conforme o tópico 3.1 do 3º Objetivo do Desenvolvimento Sustentável: Assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todas e todos, em todas as idades.


Nós, da Associação de Doulas da Bahia, nos mantemos atentas e cuidadosas, participando constantemente de ações que visam reduzir esse índice alarmante de mortalidade materna no Brasil.


Texto de Flávia Arruda



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