- Código de Ética da Doula -

ADOBA - Associação das Doulas da Bahia

 

 

Às Doulas

 

A Coordenação de Doulas da Bahia entrega às doulas e à sociedade, o primeiro Código de Ética das Doulas da Bahia. O trabalho de construção democrática deste Código esteve sob responsabilidade da Comissão de Ética, formada pelas doulas Ana Boulhosa e Juliana Lima e sob a colaboração das doulas Ekatherini Kostopoulos e Tarsila Leão. Esse código irá auxiliar no desenvolvimento responsável e ético das suas funções.

 

Nesta gestão, os resultados foram submetidos à aprovação das doulas da Bahia, através de reunião geral e aberta, realizada em 20 de agosto de 2017, quando foi exposto e finalizado o texto que ora se apresenta. Devendo este, ser revisado periodicamente.

 

Apresentação

 

O Código de Ética é um instrumento que tem como objetivo nortear as doulas e a sociedade para as responsabilidades, deveres e direitos, assim como a competência da doula, oferecendo diretrizes para sua atuação e desempenho do seu trabalho perante a sociedade.

 

Este Código de Ética é constituído para as doulas em atuação, membros desta organização, e que tem como premissa maior o cuidar e o suporte contínuo à mulher no âmbito da gestação, parto e puerpério, visando assim um nascimento respeitoso e o bem estar mãe/bebê e família.  Estendendo-se também as relações entre os demais profissionais e instituições, que estão envolvidos nessa mesma esfera.

 

Embora o serviço das doulas apresente resultados benéficos, comprovados cientificamente, ainda assim, não tem seu reconhecimento legal nem trabalhista, mas tem sua inclusão na CBO-Classificação Brasileira de Ocupações, sob o número 3221-35, em de 31 de janeiro de 2013. A CBO é o documento que reconhece, nomeia e codifica os títulos e descreve as características das ocupações do mercado de trabalho brasileiro. 

 

Considerações Gerais

 

Qualquer pessoa que deseje fazer a formação de Doulas deverá compreender que este trabalho exige um esforço considerável de entrega, dedicação, tempo, flexibilidade, estudo e aceitação e respeito pelas escolhas do outro. Será necessário um período de reflexão antes de tomar a decisão de vir a ser uma doula.

A doula deverá ser um instrumento de suporte para a mulher/casal, tendo como tripé de sua atuação: (1) apresentar informações baseadas em evidências científicas atualizadas; (2) oferecer suporte emocional; (3) proporcionar apoio físico, utilizando recursos não farmacológicos de alivio da dor. Além de acompanhar e fortalecer o processo de empoderamento da mulher.

 

Não se pretende que a doula seja mais uma pessoa no cenário do parto, mas sim a que escuta, ampara e atende a mulher/casal numa proximidade única e de forma continuada.

 

 Capítulo I - Deveres da doula

 

  1. Às doulas é recomendado que realizem a sua inscrição na ODOBA. Para assim fortalecer a organização e padronizar a conduta ética perante a sociedade.

  2. A doula deve agir com responsabilidade se comprometendo com o que foi acordado com a mulher e/ou casal.  Desde o início, deverá esclarecer, em contrato escrito, as condições do seu trabalho, custos, forma de pagamento e política de reembolso, a fim de assegurar o compromisso entre as partes. Assim como, apresentar uma alternativa (doula backup), caso não possa cumprir com os seus serviços.

  3. Cada doula é responsável pela sua forma de atuação, bem como pela qualidade do seu trabalho. Colocar-se à disposição da família para tirar dúvidas, sugerir leituras, filmes, sites, além de propor sobre a realização do Plano de Parto.

  4. Dar informações verdadeiras sobre as suas competências, formação profissional e experiência. Usar devidamente a sua imagem nos meios de publicidade que tem ao seu dispor (sites pessoais ou institucionais, folhetos, cartões de apresentação, e-mails, entrevistas etc.).

  5. Garantir a total privacidade e confidencialidade dos seus clientes. Levando em conta a sua história de vida, resultado do parto, ou outros detalhes do nascimento relativos à mulher/casal e bebê. A doula deve manter a sua discrição e não noticiar o nascimento do bebê ou outros detalhes sem a devida autorização dos pais. Abre-se apenas a exceção, quando necessária, para uma supervisão de casos específicos, com total omissão de dados pessoais

  6. O trabalho da doula deverá pautar-se pela excelência e integridade. Respeito pelos seus clientes, independente das suas escolhas: religiosa, de gênero, filosófica, cultural, entre outras. Oferecendo informações baseadas em evidências científicas atualizadas, de forma a promover a escolha informada e consciente, na gravidez, parto, pós-parto e parentalidade. Em nenhum caso, deverá a doula persuadir a mulher/casal a escolher opções que na verdade não se ajustem às suas escolhas e vivências, ou seja, não compete a doula tomar decisões por suas clientes.

  7. A doula deve discordar de práticas que não possuem respaldo nas evidências cientificas, a exemplo do parto desassistido planejado. A doula pode ponderar junto com a mulher/casal sobre as consequências dessa escolha. Caso a doula venha acompanhar nessas condições, ela deve estar ciente da sua responsabilidade, independente do desfecho do parto.

  8. A doula não efetua quaisquer procedimentos da área de saúde. Em caso de doulas que são também profissionais de saúde deve ficar claro que a sua atuação, durante o acompanhamento, será apenas como doula. Portanto, não realizam diagnósticos e devem distinguir os seus saberes e como usá-los em cada situação.

  9. A doula deve ser escolhida pela mulher a partir da empatia entre elas, levando em conta, também, o seu perfil, necessidades e desejos. Ao aceitar, compete a doula apoiar essa mulher no seu processo de escolhas e empoderamento.

  10. Caso venha a ocorrer uma indicação de cesariana durante o trabalho de parto, a doula deverá manter seu compromisso de acompanhar e dar suporte à gestante, pretendendo que a experiência seja a melhor possível para aquele momento.

 

Capítulo II - Direitos da doula

 

  1. A doula tem o direito de atuar e desenvolver o seu trabalho, com liberdade. Considerando os princípios éticos que norteiam a sua atuação.

  2. A doula pode se dar o direito de interromper um contrato com a mulher/casal. Em situações em que houver desvio do acordo estabelecido, do compromisso com o seu trabalho e a ética, a quebra de contrato é permitida. 

 

Capítulo III - Prática profissional

 

  1. Manter-se em constante atualização, aprendizagem e formação. Reforçando assim seus conhecimentos para melhor desenvolver a sua prática no acompanhamento à gestante. A formação de doula não está nem estará completa. É uma aprendizagem contínua.

  2. A doula deve colaborar ativamente para manter o propósito e missão do seu trabalho.  Defendendo ativamente a integridade no desempenho dessa prática, com o intuito de promover e difundir os valores e fundamentos dessa atividade profissional.

  3. A doula não substituirá o papel de nenhum outro profissional do parto e nem tão pouco do acompanhante da gestante. Cabe a doula valorizar e incentivar a participação ativa do acompanhante, visto que este é um direito da gestante.

  4. Espera-se que a doula tenha capacidade de lidar com situações adversas. Apresentando assim, uma atitude introspectiva de análise da situação, com flexibilidade e sensibilidade, que leve a uma melhor resolução dentro do que seja possível.

  5. Recomenda-se que a Doula participe dos encontros e reuniões promovidas pela ODOBA.  Reforçando a ideia de coletividade e união, fortalecendo o movimento e levando a sua contribuição pessoal para a expansão do trabalho da doula e da Organização das Doulas da Bahia.

  6. Para que a doula possa ter poder de voto em reuniões da ODOBA, é imprescindível que ela tenha o pagamento da anuidade em dia e  mantenha o seu cadastro atualizado.

  7. A doula contribuirá para promover e difundir as informações referentes a sua ocupação e serviços oferecidos, preservando os padrões éticos aqui estabelecidos.

 

Capítulo IV – Relação entre doulas e outros profissionais

 

1. Manter o respeito e cortesia com as outras doulas, dentro e fora da organização. Tratando-as com consideração e igualdade, sem interferir na sua atuação e respeitando suas clientes.

2. Da mesma forma, pretende-se que a doula mantenha uma relação respeitosa com os demais profissionais com quem trabalha, evitando assim situações de conflitos, constrangimentos ou agindo de forma insultuosa dentro ou fora das redes sociais.

 

 

Salvador, 20 de agosto de 2017.

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