Doular com Autocuidado

O autocuidado é um olhar atencioso para nosso mundo interno. É uma ação intencional de cuidado para si, que leva a bons resultados nos níveis emocionais, mentais e físicos. Nós, Doulas, temos como um dos objetivos de nossas funções o cuidado, um cuidado para com a mulher que gesta, sua cria, seus acompanhantes... Mas como fica a Doula? Ela se cuida? Quem cuida da Doula?


A mulher sempre foi colocada no papel de quem cuida. Cuida da plantação, cuida dos alimentos, cuida da casa, cuida dos filhos, cuida do marido... e quem cuida dela? Nós, mulheres, esquecemos do autocuidado, mas estamos em um período de empoderamento feminino, de olhar para si, nos conhecermos, nos aceitarmos e nos cuidarmos!


Outro pilar importante, e trabalhado pela Doula em seus encontros, é a Maternidade e Maternagem. Qual a diferença? A Maternidade é o processo biológico de tornar-se mãe e a Maternagem é uma escolha que levará a uma ligação afetiva de filiação, é o profundo desejo de cuidar, amar, proteger e ensinar. O papel da Doula não se restringe ao momento do parto. Pelo contrário, a presença da Doula ainda na gestação, contribui para que a mulher possa se cercar de informações baseadas em evidências científicas sobre o gestar, parir e cuidar. Desse modo, o Maternar e a própria Maternidade poderão ser fortalecidas com orientações atuais de cuidado e atenção à (s) criança (s). E para fornecermos informações e auxiliarmos a mulher em tomadas de decisões que atendam suas próprias necessidades, e não às nossas, precisamos nos conhecer, nos aceitar, para aceitarmos às decisões dela, ainda que não concordemos, e ficarmos bem com isso!


Dito isto, precisamos entender a problemática do nascimento, pois as interferências sofridas nesse processo poderão ter consequências diretas na Maternagem e desenvolvimento global do bebê. Quando uma mulher está em um ambiente que bloqueia sua liberação de ocitocina e a faz secretar adrenalina, o instinto de sobrevivência acaba anulando o instinto materno. Estamos exagerando? Infelizmente não é isso que demonstram as pesquisas com os altos níveis de depressão materna, que sinalizam para uma menor responsividade da mãe ao choro do bebê, sentimento de impotência ao parir e criar os filhos...


Laura Gutman diz que a primeira infância é o período de receber amor, a segunda infância e adolescência é o período de ensaiar formas de amar e após os 21 anos é o período de amar francamente. Mas o que de fato vivenciamos, recebemos? Como a moralidade, religião e tantos outros fatores interferem nesse nosso processo?


O bebê humano nasce imaturo e alguns teóricos falam em exterogestação, o que seria um período de gestação extrauterina. Esse período inicial que Winnicott denominou como “loucura materna primária”, a mãe está fusionada ao bebê com intuito de protegê-lo. Para isso, é preciso que alguém permita que a mãe seja apenas uma mulher que pode oferecer a ternura que o bebê precisa, ou seja, a mãe precisa se sentir amparada. E para sermos esse porto de amparo desta mulher, ou até apoio para que a família e amigos assumam esta função, precisamos nos cuidar.



Quando desenvolvemos hábitos de autocuidado, temos a possibilidade de tornar consciente nossas potencialidades e, também, nossas limitações. Esse processo de cuidar e ser cuidado é fluido, dinâmico... Não é cuidar do outro como gostaríamos de ser cuidados, mas ofertar o cuidado que o outro realmente solicita. A relação se estabelece no “entre”, revelando as necessidades que se constroem nos instantes de encontros genuínos e empáticos. Doular ou servir/assistir o outro é uma prática de ser silêncio em meio ao movimento, segurança em torno dos medos, ou apenas uma presença, permitindo que tudo aconteça como tem que ser. Esta prática requer que também olhemos para nós mesmas, e enxergar a si, é um exercício de autocuidado, de amor e conexão. Conectar-nos com nossas próprias demandas e desejos é também mostrar ao Outro que temos limites, regras, que devem ser acolhidas e respeitadas. Tocamos vidas e deixamos que a vida nos toque...


A outra dica que lhes convidamos a pensar é sobre sermos cíclicas, como é tudo na natureza. Todo mês vivenciamos momentos de crescimento, expansão, plenitude e recolhimento. Quando entendemos a nossa energia cíclica, passamos a nos respeitar e nos tornamos conscientes e empoderadas de nós mesmas. Lembrem-se que precisamos antes nos nutrir para então poder nutrir.




E nosso convite é para que vocês olhem atenciosamente para seu mundo interno, tomem consciência do que vê como luz e também suas sombras e se perguntem: eu me aceito assim ou desejo mudar algo? Inove para amar (se).

Kátia Cordeiro

Doula

Tarsila Leão

Doula

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